Interpretando as STAs das Características Lineares de Tipo

Interpretando as STAs das Características Lineares de Tipo
Interpreting Linear Type Trait STAs*

As avaliações genéticas das características lineares de tipo são inicialmente calculadas como Habilidades Previstas de Transmissão (PTAs), de forma semelhante às características de produção e à pontuação final.

PTAs para diferentes características (como PTA Leite e PTA Proteína), expressas nas mesmas unidades (libras), podem ser muito difíceis de se apresentar no mesmo gráfico, pois os valores são muito diferentes (+2000 lb x +50 lb). Tentar incluir outras características (como PTA Tipo, por exemplo), expressas em unidades diferentes (pontos), no mesmo gráfico é praticamente impossível.

Uma solução prática para apresentar várias características no mesmo gráfico é padronizar cada uma delas. Além disso, as Habilidades de Transmissão Padronizada (STAs) permitem comparar facilmente diferentes características de um mesmo touro e identificar quais apresentam os valores mais extremos.


O intervalo de valores das STAs é o mesmo para todas as características:
• 68% dos valores das STAs estão entre -1,0 e +1,0 para qualquer característica
• 95% das STAs estão entre -2,0 e +2,0
• 99% das STAs estão entre -3,0 e +3,0

A figura intitulada “Distribuição das STAs” também é chamada de curva em formato de sino. Muitas características apresentam essa distribuição. Na média (STA = 0) encontra-se o maior número de touros. À medida que o valor de STA se afasta da média, há progressivamente menos touros em cada nível de STA. Existem mais touros com STAs baixas (-1 a +1) do que com STAs elevadas.

Um valor de STA igual a zero (0,0) representa a média da raça para aquela característica (a média da raça é definida como uma vaca de cinco anos de idade, nascida em 2020, e em produção no quinto mês de sua terceira lactação). Conhecer a STA de um touro (ou vaca) indica o quão extremas deverão ser suas futuras progênies.

As STAs não permitem saber diretamente o quanto a filha média de um touro difere da média da raça. Para responder à pergunta, “Quanto maior é a inclinação dos ílios aos ísquios na filha média de um touro com STA +3,0 em comparação com um touro com STA -3,0?”, são necessárias informações adicionais.

As pontuações médias das progênies que correspondem às STAs para cada característica são apresentadas na Tabela 1. Por exemplo, a filha adulta média de touros com STA -3,0 para Ângulo de Garupa terá 17,0 pontos. Em contraste, a filha adulta média de touros com STA +3,0 para Ângulo de Garupa terá 26,3 pontos, uma diferença de 9,3 pontos.



A Estatura apresenta a maior herdabilidade (0,42) entre todas as características de tipo avaliadas e, consequentemente, a maior variação nas pontuações médias das filhas. Em comparação, o Ângulo do Casco possui herdabilidade muito menor (0,15) e uma variação bem menor (4,5 pontos) na pontuação média das filhas entre touros com STAs extremas (+3,0 x -3,0). Os criadores podem aumentar (ou reduzir) a média do rebanho futuro para Estatura muito mais rapidamente do que para Ângulo de Casco, caso utilizem reprodutores com STAs idênticas para ambas as características.

Aos criadores que desejem saber quanto maior é a inclinação dos ílios aos ísquios em uma vaca com 26 pontos para Ângulo de Garupa, em comparação a uma vaca com 17 pontos, a Tabela 2 fornece essa resposta (3,5 centímetros), além de outros dados. À primeira vista, ao se analisar a Tabela 2, pode parecer que as filhas médias dos touros mais extremos são bastante semelhantes. Por exemplo, uma diferença de (6,6 centímetros) na estatura (diferença média entre filhas de touros com STA +3 e STA -3 para Estatura) pode parecer pequena, mas é importante lembrar que essas diferenças se acumulam ao longo das gerações. Cada intervalo de geração é de aproximadamente 6 anos, portanto, ao longo de 30 anos, é possível aumentar (ou reduzir) a estatura média do rebanho em 12,7 centímetros em relação à média da raça. Mudanças relativamente pequenas em cada geração podem resultar em transformações significativas ao longo do tempo.

Se o objetivo for produzir vacas altas, pode-se começar com vacas de estatura média (STA = 0) e acasalá-las com um touro que transmita estatura extrema (STA +4,0). A progênie resultante terá uma pontuação média de estatura de aproximadamente 34,4 pontos e terá quase 157,5 centímetros de altura.

Se o ponto de partida forem apenas vacas muito altas (STA de Estatura = +3,0), a progênie resultante será ainda mais alta. A pontuação média esperada de Estatura seria de 45,3 pontos, com altura média de cerca de 150,1 centímetros. O uso exclusivo de touros e vacas com STAs extremos pode resultar em mudanças muito mais rápidas no rebanho.

Algumas características (como Ângulo do Casco) são consideradas ideais em um dos extremos (íngreme). Outras características (como Profundidade de Úbere) possuem um ponto ótimo intermediário. Úberes extremamente rasos geralmente não apresentam capacidade adequada para permitir altas produções. Por outro lado, úberes excessivamente profundos são prejudiciais à saúde e à longevidade das vacas. A maioria dos produtores de leite prefere que o úbere de uma vaca adulta permaneça acima dos jarretes.


*Fonte: Texto originalmente publicado pela Holstein Association USA, Inc. com o título “Interpreting Linear Type Trait STAs”. Acesse o texto original, em inglês, clicando aqui.